Bate-Papo | A biblioteca na vida de: Felipe Fagundes

segunda-feira, 2 de novembro de 2020


Marcando o inicio do novo site do Projeto Rata de Biblioteca, planejei, dentro dos bate-papos que envolvam a temática da literatura e das bibliotecas públicas, o quadro "A biblioteca na vida de...", em que pessoas que frequentam bibliotecas nos contam um pouco mais sobre o que o serviço e o local fazem por elas. 

Estreando o quadro, tive o prazer de entrar em contato com o Felipe Fagundes, alguém que mesmo de longe, já acompanho há um tempo na internet. Fundador de um clube de leitura, Felipe compartilhou comigo um pouco mais sobre como seu projeto se vincula tão bem com o acesso público e gratuito aos livros. 

Como se iniciou o seu contato com as bibliotecas?

Passei por muitas bibliotecas de escola, mas a que me marcou mesmo foi a Biblioteca Parque Estadual aqui no Centro do Rio de Janeiro. Trabalho há anos nesse mesmo bairro, mas não tinha ideia de que existia uma biblioteca desse porte nele, mesmo ela sendo enorme. Só fui notar a existência quando aconteceu um evento nela, o LER, que é anual e é quase uma mini-Bienal: tem mesas, debates, palestras, livros à venda, mas tudo dentro da Biblioteca Parque, que é incrível. Coincidiu inclusive com o primeiro passeio do meu clube do livro, lá em 2018. Juntei meus novos amigos e tivemos uma tarde maravilhosa na biblioteca.

Você tem um clube de leitura! Como foi colocar o projeto em prática?

Foi uma coisa que ficou cozinhando dentro de mim por um longo tempo. Eu amo livros, tô na internet falando deles desde 2013, e também amo gente, que eu só fui descobrir que gostava mesmo em 2015, quando percebi que ser introvertido não necessariamente significa ficar trancado em casa sozinho para sempre. Descobri que sou muito bom em juntar pessoas que não se conhecem, misturo todos os meus grupos de amigos e me autodeclaro o marcador oficial de rolês dos meus círculos sociais. Eu sabia que organizar um clube do livro não era uma tarefa fácil, demandava muita organização, conciliação de agendas e boa vontade, mas percebia que eu podia lidar com tudo isso. Então lá em 2018 eu uni dez pessoas para conversar sobre um livro em comum, hoje somos mais de quarenta num clube de assinatura que também faz encontros online.

Como as bibliotecas auxiliam seu clube?

Para os encontros presenciais, as bibliotecas são tudo. Uma coisa que eu sempre tive em mente é que não é todo mundo que pode comprar livros todo mês, então parte do meu trabalho como organizador de clubes é facilitar o acesso aos livros. Tenho alguns amigos que são leitores assíduos, o próprio clube expandiu muito minha rede de livros disponíveis, então tentamos fazer tudo na base do empréstimo. Um lê e passa em mãos para o outro. Estou sempre perguntando nos meus grupos “Alguém tem o Jane Eyre da Charlotte Brontë pra me emprestar?”. A Biblioteca Parque foi uma mão na roda. Sempre que vamos escolher uma leitura, eu pego as indicações e procuro no site da biblioteca para ver se há exemplares e quantos estão disponíveis. Raramente compro livros físicos, pois quase tudo que eu quero ler encontro lá. Pedi para o clube inteiro fazer o cadastro.

Consegue lembrar de algum livro importante para você, encontrado em bibliotecas?
O Sol é para todos”, de Harper Lee, foi uma grande surpresa para mim. Quando o clube do livro indicou, eu não sabia nada sobre o livro. Tinha um leve preconceito por ser clássico. Achei na Biblioteca Parque e, nossa, que livro incrível. Foi o melhor do meu ano! Também tenho um carinho muito especial pelo “Passarinha”, da Kathryn Erskine, que usei para fundar um clube, e a biblioteca simplesmente me forneceu SETE exemplares. O sonho de todo organizador de clubes do livro. Ambos são narrados por crianças e tratam de temas delicados e/ou que precisam de mais visibilidade.

Como é sua relação com a literatura de fácil acesso e o espaço propriamente dito das bibliotecas?

A questão é que não basta só a biblioteca existir. Ela tem que ter investimento e divulgação. A Biblioteca Parque, como eu disse, só vim a descobrir depois de um evento muito legal. Desde então sigo chocado com o quanto ela é grande, espaçosa e bonita, mas, mesmo assim, absurdamente vazia. Sei que tenho o privilégio de trabalhar perto de uma biblioteca desse porte, mas mesmo ela não consegue atrair tantas pessoas. A Parque tem um pé-direito altíssimo, ar-condicionado, poltronas, cabines para ver filme… Sou apaixonado por ela, mas também me bate certa tristeza. Mais gente tinha que aproveitar esse oásis da literatura no meio do centro da cidade. Ter uma fonte inesgotável e gratuita de livros parece quase magia.

Felipe Fagundes
Escritor e organizador de clubes do livro de assinatura, presenciais no Rio de Janeiro e online.

Instagram do clube do livro: https://www.instagram.com/saiadarotina.rj/


Você também tem uma história com as bibliotecas e gostaria de conversar comigo? Podemos planejar nosso bate-papo pelo formulário de contato, pela mensagem direta do Instagram, ou ainda, pela mensagem direta do Twitter!

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